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1. Introdução
No primeiro semestre de 2007, será realizado um projeto Anti-Drogas no GAC, com a ajuda de doações em dinheiro. Sua concepção, seu planejamento e sua realização são os temas do presente texto. Primeiramente, serão esboçadas as dificuldades e condições específicas deste projeto, relacionadas à localização da instituição. Baseado nisso, o projeto será concebido posteriormente, considerando particularmente a realidade local, social e cultural. As crianças da GAC estão na faixa etária entre 2 e 12 anos e são moradoras da comunidade Aglomerado Santa Lúcia, popularmente conhecida como Morro do Papagaio. Trata-se de um bairro cuja denominação popular – e politicamente incorreta – é “favela”. Isso porque “favela” se tratava de um agrupamento de, no mínimo, 50 construções feitas de materiais rústicos, caracterizado por espaços estreitos, carência em infra-estrutura e altos índices de criminalidade. Hoje, entretanto, a idéia de favela está relacionada ao contexto social, político e cultural da população pertencente a classes econômicas mais baixas da sociedade. Comunidade, por sua vez, é o nome mais neutro. No planejamento urbano foi disseminado, ainda, o conceito sociológico “aglomerado”.
2. Situação-Problema
Para a realização de um projeto Anti-Drogas nesse ambiente é necessário considerar o fato de que certas coisas são naturais para essas crianças, que têm um contato diário com as drogas, seja nas ruas, em sua vizinhança, ou mesmo em suas próprias famílias. Dessa forma, nosso desafio específico consiste em “desnaturalizálas”. Só através desse processo de "desnaturalização" é possível mostrar os perigos e fazer com que as crianças desenvolvam uma atitude contrária ao uso de drogas. O desafio consiste também em sustentar uma posição contra o uso de drogas sem desvalorizar pessoas importantes para os menores, que podem estar envolvidas no uso ou no tráfico de drogas. Esse cuidado deve ser tomado para evitar a consolidação de uma resistência dessas crianças em relação a uma posição antidrogas ou, ainda, a incitação ao consumo.
3. Objetivo
A partir da definição do problema, apresenta-se o seguinte objetivo do projeto Antidrogas: desenvolver, junto às crianças, a consciência do perigo do consumo e do abuso das drogas, tendo em vista que essa temática é muito presente em suas vidas.
4. Metodologia
O objetivo do programa Anti-drogas deve ser alcançado através dos seguintes passos: 1. apresentar, a partir de perspectivas diferentes, informações sobre os perigos relacionados ao consumo de drogas. 2. mostrar modos diferentes de ocupação do tempo livre 3. fazer com que as atividades desenvolvidas no projeto sejam apreendidas como uma experiência positiva. O projeto será organizado como uma campanha Anti-drogas. Na primeira etapa, que terá a duração de 8 semanas, as crianças criarão logotipos de combate ao uso de drogas que serão impressos em camisas. As crianças confeccionarão, ainda, um cartaz com os pontos discutidos acerca do tema. Na segunda parte do projeto, ou seja, na última semana, será oferecida uma atividade cultural, esportiva ou social, por dia. No último dia do projeto, haverá uma festa para toda a creche, onde serão escolhidos os dois melhores logotipos, os grupos vencedores serão premiados e os cartazes serão expostos. A escolha desse procedimento consiste na necessidade de incluir o máximo de crianças possíveis neste projeto. Uma vez que dois grupos ganharão um prêmio, significa que vinte crianças serão premiadas. Essa semana de atividades deve ser atraente para todas as crianças, para que o dinheiro possa beneficiar o maior número de pessoas.
5. Definição do projeto e das atividades
As crianças deverão ser divididas em grupos de dez, sendo que cada grupo deverá ser supervisionado por um adulto responsável. Nesses grupos a temática “drogas” será discutida e, posteriormente, será confeccionado um cartaz com o logotipo criado. O projeto Anti-drogas será trabalhado por duas horas semanais: uma hora por semana deverá ser dedicada às atividades em grupo e outra hora será destinada a atividades envolvendo todas as crianças. Haverá, ao todo, oito atividades para todas as crianças. Na primeira semana, um médico será convidado para dar uma palestra sobre os perigos e efeitos das drogas. Serão convidados ainda um químico, para demonstrar através de experimentos o efeito tóxico das drogas; alguém que já tenha perdido uma pessoa de sua família por causa do abuso das drogas; um padre; um policial; um ex-viciado; uma pessoa famosa, se possível. Será exibido um filme, a fim criar uma discussão sobre o tema. A última semana será concebida como a “Semana do Projeto”, onde atividades culturais, sociais e esportivas serão oferecidas, a fim de fazer com que as crianças se lembrem do Projeto Anti-Drogas como uma experiência positiva. Por outro lado, as atividades apresentarão outras possibilidades para as crianças se ocuparem em seu tempo livre, além de representarem outras realidades possíveis. Considerando esses pontos, a última semana deverá ser organizada da seguinte maneira: segunda-feira: um mestre de capoeira será convidado para jogar com as crianças, já que, em primeiro lugar, a capoeira é um símbolo da cultura brasileira e é também oferecida enquanto aula na instituição, e depois porque um mestre de capoeira representa, para as crianças, uma “autoridade” positiva, podendo, dessa forma, ser também um mediador do projeto Anti-drogas. terça-feira: será feita, com as crianças, uma visita ao Museu de Ciências Naturais da UFMG (http://www.ufmg.br/rededemuseus/). Trata-se de um museu de experiências pedagógicas, no qual as crianças experimentarão uma realidade diferente. quarta-feira: será realizada uma turnê de futebol entre os grupos que trabalharam juntos durante as 8 semanas. Como uniforme, naturalmente se usaria a camisa, com os logotipos, dos respectivos grupos. O futebol foi aqui criteriosamente eleito, pois, assim como a capoeira, trata-se de uma importante parte da cultura brasileira. Se possível, um jogador do Atlético ou do Cruzeiro poderiam ser convidados. quinta-feira: serão feitos os preparativos para a festa final na sexta-feira. Para isso, cada grupo ficará encarregado de uma das seguintes tarefas: decoração, compras e “comes e bebes”. sexta-feira: o projeto será finalizado com uma grande festa, na qual os grupos que confeccionaram o melhor e o segundo melhor logotipos serão premiados. O primeiro prêmio será uma visita de um dia a Ouro Preto para todo o grupo. Lá será feito um passeio pela cidade e uma visita a uma mina de ouro. O segundo prêmio será um passeio ao McDonald para um “lanche feliz”. O Mcdonald aqui no Brasil também tem um significado mágico para as crianças, mas não é acessível a todas as famílias.
6. Orçamento
Os custos estão listados abaixo: Ida ao Museu Camisas R$4,00 por criança (100 criança+30adultos) R$ 520,00 Festa decoração, comes e bebes, etc. R$ 350,00 1° prêmio ônibus para Ouro Preto, entrada R$ 500,00 na mina, etc. 2° prêmio ônibus (R$4), refeições (R$8,25) R$ 147,00 --------------- Custo total R$1517,00 Convertendo a quantia de 750€ (Euros) em reais, temos um total de aproximadamente R$2000. Sobram ainda R$500 para a Ida ao Museu e para custos extras, como por exemplo material didático.
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